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A cozinha que recebe
A sala de jantar da casa brasileira foi ficando cerimoniosa e vazia. A mesa da cozinha absorveu o que ela deixou de fazer.
- Peças citadas
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- Peças na cozinha
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01A mesa que trabalha todo dia
A Mesa Taipa tem 150 cm de comprimento e trabalha todos os dias, o que é bem diferente de trabalhar aos domingos. O tampo é jatobá maciço e aceita marca: a cor amadurece nos primeiros meses e depois estabiliza, e daí em diante a madeira para de contar o que aconteceu em cima dela.
Quatro Cadeiras Junco cabem nos 150 cm com folga. O assento é palhinha sobre estrutura de freijó, e o conjunto pesa pouco de propósito — uma cadeira de cozinha sai do lugar várias vezes por refeição, e o peso que impressiona na loja atrapalha em casa.
A Banqueta Seixo na ponta é a cadeira a mais que sempre falta e nunca justifica uma quinta cadeira igual. São 40 × 40 cm em carvalho, em pronta entrega. É a peça que resolve o jantar em que apareceu mais gente do que o combinado.
Cento e cinquenta centímetros de jatobá, as cadeiras de palhinha e a banqueta que faz o quinto lugar.
02O que sai da parede quando a cozinha recebe
O Armário Cais tem 215 cm de altura e ocupa o lugar da despensa que a cozinha não tem. É a única peça fixa do cômodo depois da mesa, e por isso foi a primeira a ser posicionada: tudo o que se guarda ficou de um lado só, o que deixa a outra metade da cozinha livre para circular durante um jantar.
O Carrinho Roldana faz o contrário. São 56 cm de largura em aço carvão e nenhum lugar fixo: sai da parede quando a cozinha recebe e volta quando ela não recebe. A pintura eletrostática não pede polimento nem cera — é a única peça do cômodo que não pede manutenção nenhuma, e a única que não é de madeira.
O volume fixo e o volume móvel da cozinha, lado a lado na parede em que os dois descansam.
03Duas superfícies para quando a mesa não basta
A Mesa de Apoio Luar entra quando a mesa principal já está posta e ainda falta lugar para o que não é comida. Tem 74 cm de altura contra os 76 da Mesa Taipa: dois centímetros de diferença, o bastante para as duas lerem como uma superfície contínua quando ficam encostadas, e não como dois móveis diferentes.
A Cadeira Vime fica na parede e não à mesa. É a cadeira que se puxa, a mais leve da casa, em rattan cru — que pede pano úmido, secagem à sombra e um ambiente que não seja seco demais, senão a fibra ressecada começa a soltar. É pouca exigência para uma peça de 48 cm que passa o dia sem ninguém sentado nela.
As duas peças que só entram em cena quando a mesa enche, guardadas contra a parede no resto do tempo.
A sala de jantar cerimoniosa continua existindo em muitas casas. Quase nenhuma delas janta lá.